Mudanças bruscas de tempo afetam meu bem estar a um curto prazo, percebí. Após um certo período, acostumar-se é inevitável. A temperatura elevada não nos tem sido piedosa, o que para o inverno, por sua vez, é vergonhoso. Um tempo descente constante é uma exigência ao clima na presente estação, porque com estes 31°C em pleno mês de Agosto o tempo frio volta à sua forma variável do ano anterior em que não sabíamos mais o que era o aconchegante frio. Entretanto, como sempre, sobreviveremos novamente à este tempo sem lógica com a expectativa de que no máximo no final da semana a temperatura volte ao seu frio natural.
Seguindo a ordem das coisas, então, após o pranto surge o raciocínio.
Tenho acrescentado boas doses de interesse, e posteriormente conhecimento, sobre os mais diversos assuntos que fazem parte daquela força moral e elevação de espírito com que o Homem se coloca acima dos preconceitos, e do amor ao saber.
O que realmente escreve as idéias é o conhecimento e a emoção, auxiliados pela sabedoria. Logo, gostaria de citar algumas das Máximas e Reflexões que estão contidas nas páginas de La Rochefoucauld (Escritor francês, um dos preferidos de Nietzsche. Veio a falecer em 1680, no dia do meu aniversário), e entre parênteses, comentários do leitor que aqui as coloca:
"A força e a fraqueza do espírito são mal denominadas; com efeito, nada mais são que a boa ou a má disposição dos órgãos do corpo."
(O Espírito rege a matéria.)
"A felicidade e a infelicidade dos homens não dependem menos de seu humor que da sorte."
(O humor monta o palco da peça, a sorte traz o público. (Aqui, desviando do ponto de vista de sorte do autor)
"A presteza em crer no mal sem tê-lo examinado com cuidado é um efeito do orgulho e da preguiça. Queremos encontrar culpados, mas não queremos nos dar o trabalho de examinar os crimes."
(Preconceito desnecessário.)
"O encanto da novidade é para o amor o que a flor é para o fruto; confere-lhe um lustro que facilmente se apaga e que jamais voltará."
(Embora o amor proporcione inumeráveis encantos posteriores.)
"Não poucas vezes teríamos vergonha de nossas mais belas ações se o mundo visse todas as razões que as motivam."
(Nossos mais profundos motivos as vezes são ocultos até para nós mesmos, nunca temos uma só razão para fazer algo e na maioria das vezes, quando revelamos, revelamos apenas o motivo mais cabível aos olhos de outrem.)
"É mais fácil conhecer o homem em geral que um homem em particular."
(Sabemos da atitude de muitos, não sabemos da atitude de um.)
"Nunca se deseja ardentemente o que se deseja somente com a razão."
(Apenas plenamente de acordo.)
"Quando temos o coração ainda agitado com o que resta de uma paixão, estamos mais perto de sermos invadidos por uma nova do que quando inteiramente curados dela."
(Talvez seja variável de acordo com a experiência de cada indivíduo, mas isso é fato na minha realidade.)
Estas são algumas das máximas que há no livro, reflitam também sobre estas palavras, mesmo as minhas, o espaço para comentários não existe por acaso.
Muitos destes escritores e filósofos tem um ar de agressividade ao escrever seus pensamentos. Quase todos expõe os textos como se houvesse uma veracidade absoluta em suas palavras, sem chance alguma de discussão sobre elas. Concordo que, antes de passar para o papel, os pensadores devem ter trabalhado ao máximo suas idéias, mas da mesma fora, à mim como leitor é comum sentir uma agressão contra meu próprio ponto de vista quando este difere de alguma forma com do escritor. Tenho plena clareza em analisar tudo o que leio e que me é novidade, para deste modo aperfeiçoar minhas capacidades de interpretação e raciocínio e também podendo mudar meu pensamento para um terceiro mesclando o do antigo e o do autor, se assim me satisfizer. É esta disposição que devemos ter, porque se apenas lermos textos e proclamar concordância ou sua oposta, de nada vale a leitura. Como sempre, é importante pensar.
Agradecendo sua leitura e sua palavra, me despeço.
"De certo modo, a humanidade sempre será Amante de Sophia."
