É com essa frase que acabei me deparando esta noite. Não consigo mais sentir o meu tão importante modo de ser e estar, o modo em que eu me sentia melhor que agora, o modo aquele que nesse instante faz-me sentir inferior. Inferior. Estou no nível abaixo de que gostaria, estou sendo humilhado por mim mesmo nos aspectos mais valorosos do meu ser. Eu acho e sei que somente eu posso mudar qualquer coisa que esteja acontecendo na minha vida, ou que esteja fazendo a minha vida acontecer, mas de fato nem tudo são rosas nesse contexto. Este momento pode ser no futuro um, como sempre, aprendizado e num futuro próximo estarei me sentindo normal e bem novamente, mas com consciência que a moeda tem sim dois lados.
A explicação da inferioridade é que olhando para trás, vejo o que já escrevi e já pensei, ideias e ideais que estão guardados em algum lugar da memória. E então, eu concluo que tudo estava melhor antes. Eu estava melhor antes. Estava melhor em inúmeros aspectos, eu sei identificar todas as entrelinhas dos meus textos, eu sei o que eu pensei no instante em que escrevi uma linha importante! E isso é justamente o contrário do que acontecia antes, quando eu escrevia, tempos depois eu relia, e concluía: "ótimo, vejo que melhorei." Mas agora, agora está tudo muito estranho...mas ainda sei que essa sensação não é nova! Maldição!
Essa é a hora pra repensar o que se está fazendo. O que eu estou fazendo. Não costumo e não gosto de escrever desse modo, escrever sobre mim e ainda de uma maneira desfavorável, com a minha costumeira exigência na hora de um escrito público, me sinto sendo corroído por dentro. Entretanto, sinto que deve ser feito para o bem maior. O bem maior para mim, é claro.
Em relação à "lição" aprendida com cada "último texto"(ver post de 12/09/07), ou seja, com cada fim, podemos dizer que tudo acaba virando material para um bem maior e que um dia será alcançado. Entretanto, o que é a vida senão o presente? Palavras poucas, mas profundas! Se não há um presente bom, como haveria um futuro diferente? O passado apenas serve como objeto de estudo para aplicar no ou retirar do presente. De certa forma caímos em contradição com a esperança, a tal que faz-nos esperar um futuro diferente, poderia se dizer melhor, do presente. Mas sendo o presente o passado do futuro, então no futuro analisaremos o presente, que naquele momento será o passado, e veremos o que? Mais do mesmo ou comemoraremos por estarmos melhores? Realmente não há uma resposta, devido à atitude que a esperança pode desencadear. Pode fazer-nos esperar de braços cruzados um milagre de deus, ou então sair mesmo correndo para que o que estamos esperando se realize. E não é necessário dizer que somente última opção é válida. Se ainda alguém não sabe disso, o empirismo se encarregará de dar esse tapa na sua cara.
O sorriso se depara com a afirmação: "Eu não preciso disso." Pratique o desapego! Experimente com moderação, apenas. Não adianta ficar sem nada, mas querer ficar com tudo só o sobrecarregará. Deixe um pouco de lado os seus vícios inúteis e dedique-se às coisas urgentes e que trarão uma resposta, pelo menos a de alívio com certeza, e não se esqueça de dar aquele passeio pela rua, nem que por cinco minutos. Acredite, quando você pensa "droga, amanhã já é amanhã...", algo deve mudar. E você sabe o que, então faça! Fingir que não aguenta, fingir que está cansado e fingir que aquela culpa e peso na consciência não te atinge é pura besteira. O pior é se você algum dia realmente se convencer de que não é responsável nem por sua própria vida, imagine em que ponto você chegou. O desapego pode/deve ser seguido com o sentimento de "looking for something new, good, fast, real, strong, exciting." E ao longo desse processo, sempre relembre e comova-se com o sentimento de "Eu estou mudando, estou fazendo algo novo por mim mesmo." Isso faz um bem difícil de descrever.
Agora, assim como eu, você percebe a mudança de rumo deste texto. Você já esqueceu do comentário de consolo que poderia pensar em escrever, e isso já é progresso. Pense em si mesmo e reflita se numa situação dessas você iria querer palavras apenas de consolo. Seria tão útil, mas claro que com outra intenção, quanto um comentário idiota do tipo "então se suicide de uma vez". E sim, isso soa meio "áspero", (a palavra ideal seria "harsh") mas não se deixe abalar por tão pouco. Releia, pense bem e, se quiser, escreva.
Em relação à Filosofia, no início, é que estou achando-a algo muito racional, o que está certo e era de se esperar, mas com falta do sentimental, da sensibilidade. Eu pensei nessa definição agora, então talvez eu possa no futuro alterá-la. Está certo a filosofia ser livre de mitos(no sentido vulgar da palavra) e exigir que a realidade se explique através daquilo que nela mesma está presente. O que, de certa forma, é estranho pensar: o meio lógico(no sentido vulgar da palavra) é explicar o significado ou origem de algo através do que veio antes ou deu origem organizou esse algo. É difícil dar um exemplo sem se complicar, então vou deixar isso em aberto. Continuando, a filosofia é livre de crendices mitológicas (Você claro que pode dizer que "filosofia não tem nada a ver com religião", mas eu e mais inúmeros(inúmeros!) filósofos discordamos de você, uma vez que a realidade é uma só e o seu deus não pode coexistir com a o real por ele mesmo. A religião quer dar um sentido, um significado para a existência e em algo em que acreditar para vencer o medo da morte. Já a filosofia busca esse mistério do mundo com os pés no chão, e se você parar para pensar, não seria nada divertido nem esclarecedor descobrir assim o mistério da existência. Isso é o que nos mantêm vivos, no final das contas! A busca da minha filosofia é a da questão da existência, da morte, etc, mas isso é tão absurdo que imaginar que se um dia acontecesse, eu me suicidaria. Enfim, não vou criar uma argumentação sobre isso comigo mesmo, afinal eu sempre venceria no final, então quem quiser falar sobre, escreva nos comentários), entretanto, chega a um ponto em que os filósofos deixam de ser poetas, e disso eu sinto falta. Já dizia Mr. Keating(filme-Sociedade dos Poetas Mortos): "...a raça humana é cheia de paixão. Medicina, direito, negócios, engenharia - estas são nobres buscas necessárias para sustentar a vida. Mas poesia, beleza, romance, amor - estas são aquelas pelas quais nós vivemos!", e ainda acho que é o melhor significado para a vida contemporânea, e já tem 19 anos de existência. Então, acho que a filosofia está regrada demais, mas nem todos são assim, ainda bem. Este é outro lado bom da filosofia: ela é uma terra livre. Que esperemos o revolucionário, então. Quem sabe no, por assim dizer, futuro.
8 comentários:
tirou o atraso legal nesse post, e como sempre me botou a fundir a cuca. Uma das coisas que tu disse com certeza me gerou um impacto grande e realmente me levou a reorganizar algumas idéias.
como sempre o gus fala sobre os pensamentos dele e acaba organizando alguns dos meus hehehee
gus, tu sabe do que nós precisamos?
tirar umas fotos pro MA's ;)
Acredito, que este post me fez pensar e refletir... não sobre o que o texto em si quer dizer, mas sim pela mensagem que ele proporciona e que se identifica com aqueles que precisam parar e também pensar.
Acredito que contrariamente do que estou escrevendo aqui, só estou parando mas não pensando e se estou pensando não estou refletindo, e a consequência disso tudo... é o continuar sem ter aprendido nada do que passou.
Gus, continue escrevendo está fazendo com outras pessoas pensem e reflitam também.
Obs.: temos todos o talento do filosofar, mas somente pessoas de verdade como tu sabe apreciar o quão complicado pode ou não ser a vida. Isso é um talento!
Acho que estamos constantemente evoluindo, ao menos mudando. Não acredito que as pessoas regridam, ou seja, vão para "um estágio anterior de si", mas acho que elas às vezes por razões diferentes começam a raciocinar de uma forma anterior. Seria como uma pessoa andando em uma de duas rotas paralelas e após sair da rota esquerda para a direita, começar a andar para a esquerda de volta, mas essa pessoa nunca poderia andar para trás.(confuso?) Sei lá. ('sei lá' é muito conclusivo sempre.)
Tudo passa, o bom o ruim o tudo. Inclusive nós e tudo aquilo que prezamos. Não adianta se preocupar pelo futuro, seria maravilhoso poder pegar um determinado pensamento nosso atual e pedir ao nosso 'eu' do futuro avaliar e dar um novo ponto de vista sobre ele, mas não seria tão divertido. A vida é divertida. Sofrer é absolutamente novo sempre, e vai passar. Sempre. Correr atrás de algo que queremos é o único jeito de nos manter em movimento, e o movimento movimenta (!) a vida, a busca por algo. E na verdade o mais divertido não é a chegada, e sim a viagem (intersecção de filmes de novo). Temos que aprender a curtir a viagem, as pedras no caminho, os temporais na estrada, ao menos conviver, porque passaremos muito mais tempo subindo o morro do que no topo dele. Não saber o futuro é uma das diversões da vida, fazer escolhas no escuro, sem previsão, é muito melhor do que uma simples análise a longo prazo.
E Hum... paixão. Concordo muito contigo, paixão é o nosso combustível vital, as outras coisas na nossa vida são só formas de nos mantermos vivos em busca da paixão, em busca dos que nos dá prazer. Aliás, deve ser por isso que Dead Poets Society continua sendo meu filme preferido, after all the years.
Eu concordo com a teoria de "nunca andar pra trás", mas os caminhos paralelos são infinitos para a direita ou para a esquerda. O que uma vez nós conquistamos e agora guardamos, nada mais nos tira, e levaremos isso até o fim, podendo sempre que quisermos resgatar este modo de pensar, seja isso bom ou ruim no momento presente da vida. Mas com a consciência de que se foi possível voltar, é "mais" possível ainda avançar, acho que nos livramos deste problema.
Hmm como "é bom" escrever aquele texto com aquela sensação gozada na barriga e uma vontade de dar um socão no teclado (ou xingar um cachorro quente, como eu). Porque depois de um tempo, a raiva passa.
Sobre o texto, três palavras: foda, foda, foda.
Gus,
que maravilhoso poder compartilhar contigo de teus pensamentos e sentimentos.Espero que continues partilhando isto com os outros pois o mundo precisa de pensadores e "sentidores". Dá para pensar muito.
Penso que a racionalidade não excluiu a filosofia, mas a completa, pois não somos nós mesmos feitos de corpo/mente/sentimentos ? No decorrer da vida , tenho aprendido que a harmonia está no equilibrio das coisas. Mas quem me dera ter atingido este equilibrio...é uma busca constante e o caminho se faz caminhando..
É muito bom conhecer um pouco do teu caminho...bjo
cara!
Tu escreve difícil... Não sei se é meu sono, mas não consegui ler até o final ainda e nem entender tudo.
Mas, vou te dizer uma coisa, antes de começar a estudar as coisasm, eu pensava que sabia muito. Depois que eu comecei a estudar, descobri que nada sabia. E aí, eu li um texto (desses que os professores dão pra gente ler na aula) e vi que todo processo de aprendizado acontece assim. Até me senti uma pessoa normal. hahahahaha
Bem, prometo que venho aqui outro dia, com menos sono, e leio melhor teu blog. E te encho o saco com comentários imbecis.
Beijos. Até mais.
Meu pensamento atual, sobre os assuntos abordados no teu texto...
Ser e estar, são formas que dependem uma da outra. Porque o estado que você está hoje, depende de como o seu ser sente, entende as coisas. E o ser é o resultado de vários dias em que você esteve de determinado jeito. Sendo que a cada dia você aprende com suas atitudes e pensamentos, que se aprimoram a cada dia. Pois o ser humano está sempre evoluindo e por isso todos os sentimentos e pensamentos são guardados no perispirito para serem aprimorados. Se em uma vida não se desenvolveu tanto o intelecto quanto em outra vida, não quer dizer que tenha regredido, pois os conhecimentos da outra existência estão guardados e provavelmente na existência em que não estudou foi porque teu objetivo não era esse e sim viver em outro ambiente, para vencer o preconceito, ter uma visão mais humana, solidaria, aprender trabalhos simples que antes não dava valor, isto é: Rever os seus conceitos que outrora não conseguia, por isso se colocar no lugar do outro é a melhor forma de ser justo.
Concordo que no futuro analisaremos o presente e acho que é muito bom olhar pra trás e ver que estamos melhores, o problema é quando se está estagnado, pois sempre se tem o que melhorar. É muito bom ter metas, pensar que o futuro vai ser melhor e que no futuro estará diferente, pois é dessa forma que se cresce, por isso devemos ir sonhando com um futuro melhor e agora construir esse amanha da forma mais feliz possível para que valha a pena.
Quanto a reli religião querer dar um sentido, um significado para a existência e em algo em que acreditar para vencer o medo da morte. Concordo, mas ACREDITO nos livros espíritas de Allan Kardec, porque eles investigaram os questionamentos filosóficos que eles tinham através de espíritos que se manifestavam e filtraram todas as respostas que lhes pareciam de espíritos de luz. Sendo que esses fenômenos do “outro mundo” podem dar uma comprovação cientifica. PARA DESCOBRIR A QUESTÃO DA EXISTENCIA, ESTUDE O ESPIRITSMO, MAS NÃO SE SUICIDE!!!
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